Noturna

Às vezes sinto que sou enganado pela noite,
Já ouvi dizer que a Lua nada mais era do que o Sol desfarçado,
Escondendo seu brilho, brilhando por dentro apenas para si,

Eu tento entender porque o tempo passa como temporal,
Tem dias que não tem como não perceber...
E qualquer vento vira vendaval,
Desvendando o que o tempo tenta esconder.

Esconderijo,

Todos cavam um dentro de si mesmos, banalidade.

O esconjuro da minha prece é para todo o sempre,
Para que a noite nunca deixe de ser noite,
Que a Lua brilhe fraquinha que seja,
Se esforçando em iluminar...

Que ilumine os esconderijos...

Quero me esconder na noite,
Só aparecer quando a Lua desabar sobre meus medos.
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Roseira (Ferida e Cura)

Subi no alto de uma roseira,
Pra cultivar paixão grandiosa;

As agulhas verdejantes penetravam o celeste do céu,
Copiado pelo mar,
Navegado pelos homens...

Os espinhos sempre ferem,
Poesia que dói...

És ferida, és cura, és a minha procura pela minha rosa...

Um dia já foi minha,
Em um copo com água a deixei à amostra,
Para que todos vissem como era linda minha rosa.

Como posso fazer da poesia meu escudo?
Como posso fazer de um espinho de roseira meu punhal?
[...]
Como pode ser tão linda essa paisagem grandiosa?

Abrangente, porém hostil...
Ostentando a mais bela das flores...

Poesia cantada pela Lua e pelo Sol,
Nos ouvidos um zumbido...
Em um, sustenido, no outro, bemol;

Subi no alto de uma roseira e já não penso mais em descer,

Me deixa ficar aqui mais um pouco,
Me deixa sonhar sem pensar que sou louco

Os espinhos sempre ferem,
Poesia que dói...

Trago alguns junto ao meu peito,
E já não penso mais em me curar...
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