O céu, a queda, o confinamento

E teus pensamentos soltos foram traduzidos em palavras;
Palavras tuas que infiltraram na prisão dos meus pensamentos, na confusão do meu coração;
O confinamento no qual eu nunca vou me libertar;

Eis que acordei com o céu caindo sobre mim;
A luz ofuscando meus olhos, ao invés de iluminar meus passos;
O sol no meio, como se não houvessem nuvens, como se não ouvesse o vento;
Como se não houvesse a lua em sua espera pelo eclipse;
Raras ocasiões em que se encontram...

É como se ninguém me ouvisse;

São palavras de sentimento oprimidas pelo olhar, que já diz tudo por si só;
Eu juro que se pudesse gritava pro mundo todo, e não apenas sussurrar em teu ouvido;

Eu sei que é tão certo oque eu sinto, não iria me enganar assim;
Mas tuas palavras e teu silêncio tendem a me amordaçar;
No confinamento no qual me foi imposto;
Nesta confusão do meu coração, que já não sabe até quando pode aguentar.
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Me encontrar

...e ouve uma falha de transmição entre nós,
numa noite qualquer, em um sonho qualquer...
daria tudo para sonhar denovo...

A sentimentalidade se tornou neblina, difícil de se enxergar...
A densidade nos olhos, a clareza no olhar...
A leveza da alma me pesa em dias assim...
Num abrir de olhos somos desconectados:
"Seria real a ilusão ou irreal a realidade?"

Os versos que escrevo quando acordo não vão muito além de simples versos...
Versos lacrados em meu sonhar...
Pensamentos violados por você;

Violentados pelo medo...
Amedrontados pelo olhar...

Entretando...és o mesmo olhar que me acalma...
Meu leito de dormir, anestesia para minh'alma,
Como quisera ter coragem para entregar-te pensamentos...
Recito minhas sentimentalidades sem ao menos abrir a boca...

Tudo que sei sobre você é que me perdi dentro de mim,
Esperando você me encontrar.
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Confusão

Palavras não significam nada, se ditas sem razão...
Minha razão transviada, são minhas palavras embebidas em café amargo,
Café que me mantém acordado, redigindo textos madrugada afora
São minhas loucuras enrustidas em piadas em discurso pagão;

Perdi a graça.

E a tonalidade de minha fala só piora as coisas;
E a mediocridade no teor de minhas palavras errantes só me diz uma coisa:

Cale-se!

Pois bem, já fiquei muito tempo calado,

Já guardei as dores que outrora foram flores,
Já beijei fadas que outrora foram bruxas,
Já provei amores e dissabores da vida,
Já sonhei com diversas tolices e coisas sem valor;

Porém, foi nessa confusão que é minha vida e minha poesia, que encontrei você;
Que assim, meio que de repente, me deixou assim...

Um tanto mais confuso, um tanto satisfeito, um tanto enamorado.
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No fim do infinito

Há um lugar onde pode me encontrar,

Não há guias nem conduções para chegar, não há castigos nem perdões para se pagar.
Um lugar onde a alma é plena e o ar é feito mana: dá vida a quem vivencia.

Há razões para ser feliz,
Há resíduos de amor; algo que o homem criou, mas não soube controlar;
Hoje em dia vive por ai, carregado pelos rios do infinito, contaminando quem de suas águas tomar.

Há o despertar, há o adormecer...

Despertar da vontade de mergulhar do alto das cachoeiras, cortadas por arco-íris, paisagem sem igual...
Adormecer enquanto não caio n'água;

A queda é longa, e o infinito é raro...

Acorde-me quando chegar no fim do infinito.
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Existência

E eis que um dia foges do lugar comum, da rotina;
O olhar fixo e corriqueiro de um retrato, fitando quem se desespera.
E quem espera sabe que um dia a noite chega...

E eu chego voando, independente de distância ou alocação,
Independente se os ventos estão a meu favor ou não,

Não aprendi a pousar, nem olhar pra frente
Dou de cara com o chão que pisas,
E agora sei que existes, e a existência do irreal é contraditória...

Me contradigo afirmando que tudo é tão, tão incondicional,

Sendo que...palavras pesam, mais de mil toneladas...
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Seu Silêncio...

O silencio das palavras que a chuva nunca ouviu do vento
talvez traga a paz ou meu inferno
e esse inverno terno e eterno que vejo xegar
é soh parte dos poemas que eu nunca mais vou escrever.
e é só parte das lembranças tristes de um adeus que não existe
pq o real encontro nunca houve.

Oq posso eu fazer? pra te trazer de volta...
se o melhor que posso te dar, é permitir a nossa partida...
Como posso eu voltar? em um tempo que ainda não existe...
Se desde o começo eu só vivi de despedidas..

Se esse fogo é pouco , oq mais a vida quer de nós?
se esse tudo é pouco , pq que te encontrei aqui?

Cade o seu sussurro nesta noite tão fria.
Só tenho o teu silencio nessa sala vazia...
se outrora te tive em sonhos
sonho tanto com o dia...
que eu acorde em outra vida
pra viver os sonhos que tive nesta madrugada.
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O mundo todo não vale a pena

Eu só queria te dar o mundo todo, e o mundo todo foi contra;
E desde então, meu mundo ficou vazio, e o resto do mundo se voltou contra mim...
Justo agora que eu tinha você pra me defender, me consolar, me fazer acreditar que o mundo todo vale a pena...

É Justo? Talvez...
És bela e tem cadeira cativa em minha mente,
Ás vezes eu até penso em parar de pensar em ti,
Me esqueceria das alegrias, me esqueceria também de que um dia te vi partir...

Quem sou eu pra falar sobre justiça?
Sou um erro, errante, na hora errada, com a pessoa certa,
Certamente, se você não existisse, eu a inventaria...
E todo dia lhe traria pra pertinho de mim, e o mundo todo ficaria contra...

Mas o resto já não me importaria, o mundo todo não vale a pena, quando olho para os quatro cantos e não vejo você...
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Dormindo com Fantasmas

E é sobre o abraço sem o toque, um raio sem o choque, um tiro sem ferir;
O sangue vermelho e rajado como a tarde.
Vênus sussurrando palavras proibidas no ouvido de Marte.

E o sentimento,
e a verdade,
e o tormento,
e a saudade,
jogados no chão como peças de roupa...

E quanto mais nos despimos, mais nos perdemos, e quanto mais separados, mais nos prendemos.

Entre quatro paredes nos perdemos em escuridão, entre quatro palavras dizemos mais que o necessário, entre as quatro estações sentimos frio e calor, paixão e ternura.

Minha cama vazia se enche com tua ausência, que me completa no frio da noite, deixa meus lábios gelados e olhos estáticos...
E eu que não acreditava em nada, posso tocar fantasmas, sombras de um pedaço de luz que eu pensava ser o céu...
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Do último andar

Do último andar vejo toda a cidade, por uma janela que nem sei se existe de verdade...
Daqui do último andar observo todas as luzes;

Cada uma representa um lar, representa um alguém?
Se for, será que uma dessas luzes é você?

As sirenes me alertam a não pensar tão alto, e eu já pensei demais...
Os vagalumes me falam no ouvido palavras que me esqueci de dizer, poemas que me esqueci de recitar.

Aqui do último andar eu percebo que se eu pular, talvez eu não chegue no chão, talvez eu vire uma estrela e torne a brilhar...

...Quem sabe eu faça parte do teu céu, e numa noite escura que passares em claro, eu seja teu desejo;

Pois sou sempre cadente, em teu céu, decadente...
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Abrir dos olhos

O abrir dos olhos. O despertar ds sonhos. O arvorecer das manhãs. A seda, o manto, a vida.
Para que os incrédulos acreditem no incerto, para os que têm fé se façam dúbios; é preciso ver além do horizonte...
...Onde residem os sonhos, até onde chega o rio da esperança...

A esperança. O esperar. O esmaecimento das minhas dúvidas vindo de encontro com minhas certezas...
A neblina das paixões que desce e confunde. O feixo de luz que sai de teus olhos, me ilumina e me cega (e me segue, aonde quer que eu vá...)
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[Sem título]

Eu gosto de te envolver nos suspiro,
No meu silencio,
Porque aquii que te sinto mais meu...
...e menos vazia;

Eu tento te envolver em minhas frases,
Como se te prendesse em minhas pernas,
Eu tento nao tentar te ter mas tenho,
Mais em alma que em corpo...
Mais em mente do que pensas...

Quero penetrar na tua mente,
Junto ao sague de tuas veias,
Te prender em minha boca,
Te enlouquecer com minhas mãos...

Eu vou te dar o céu,
Porque conheço os anjos..
Vou te embebedar com meu veneno
e meus demônios...

E se por ventura eu acordar deste sonho lindo...
Que a distância se torne minha amiga, e o tempo meu aliado;
Se eu estiver doente, faça meu diagnóstico...
Pois não me sinto normal, e você me faz tão bem;
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Brisa Leve

São aqueles momentos em que pés ficam estáticos;
Em que mãos ficam frias, e a cabeça cheia de dúvida, corpo cheio de desejo...

Em que a neblina abaixa;
E o vento que desmancha eus cabelos é o mesmo que bate em teu rosto...

Brisa leve, mensageira, procura ela e diz que já nem sei o que dizer...
Suspira em seus ouvidos o suspiro meu;
Fita em seus olhos o olhar meu;

O desejo é como a seda branca quando rasga; desperta a libido, liberdade, sentimento[...]

São aqueles momentos em que o mundo parece desabar, assim como o véu que cai e revela teu corpo, miragem e distorção...
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Mel e Veneno

Me dá um pouco de manha,
Assim posso me embebedar, com teu mel ou teu veneno...
E a doçura que me amarga me tonteia, me engana,
O escuro que me cega é o brilho do olhar, o gesto que "afeta meu afeto".

Chega a ser enternecedor aonde vai o meu pensamento...
Mesmo errante, ele é preciso.
Mesmo distante, sempre comigo.

Mesmo que frustrares em fazer acontecer, saiba que teu mel e teu veneno são um só,

E todos os dias quero provar desta tua ressaca, doçura que me amarga...
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Noturna

Às vezes sinto que sou enganado pela noite,
Já ouvi dizer que a Lua nada mais era do que o Sol desfarçado,
Escondendo seu brilho, brilhando por dentro apenas para si,

Eu tento entender porque o tempo passa como temporal,
Tem dias que não tem como não perceber...
E qualquer vento vira vendaval,
Desvendando o que o tempo tenta esconder.

Esconderijo,

Todos cavam um dentro de si mesmos, banalidade.

O esconjuro da minha prece é para todo o sempre,
Para que a noite nunca deixe de ser noite,
Que a Lua brilhe fraquinha que seja,
Se esforçando em iluminar...

Que ilumine os esconderijos...

Quero me esconder na noite,
Só aparecer quando a Lua desabar sobre meus medos.
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Roseira (Ferida e Cura)

Subi no alto de uma roseira,
Pra cultivar paixão grandiosa;

As agulhas verdejantes penetravam o celeste do céu,
Copiado pelo mar,
Navegado pelos homens...

Os espinhos sempre ferem,
Poesia que dói...

És ferida, és cura, és a minha procura pela minha rosa...

Um dia já foi minha,
Em um copo com água a deixei à amostra,
Para que todos vissem como era linda minha rosa.

Como posso fazer da poesia meu escudo?
Como posso fazer de um espinho de roseira meu punhal?
[...]
Como pode ser tão linda essa paisagem grandiosa?

Abrangente, porém hostil...
Ostentando a mais bela das flores...

Poesia cantada pela Lua e pelo Sol,
Nos ouvidos um zumbido...
Em um, sustenido, no outro, bemol;

Subi no alto de uma roseira e já não penso mais em descer,

Me deixa ficar aqui mais um pouco,
Me deixa sonhar sem pensar que sou louco

Os espinhos sempre ferem,
Poesia que dói...

Trago alguns junto ao meu peito,
E já não penso mais em me curar...
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