Azure (Monólogo de Dois)

Cada palavra...
Cada momento...
Cada canção...

Cada vez mais, o mundo fica cada vez menos compreensível...
Cada dia mais, me desencadeiam sonhos jamais sonhados;

Noite passada sonhei que estava vivendo um pesadelo;
Neste pesadelo, meus sonhos se acabavam, a esperança de que o dia amanheça me dava impulso pra pular...

Pulo de um penhasco e chego ao chão, intacto...
Incrível como os sentimentos se confundem numa dança irregular, numa batida sem rítmo...
Dor, alegria, tristeza, compaixão...e tantos outros tão comuns...

Ó minha querida, caimos no lugar-comum, este chove-não-molha me confunde, me faz chorar, me faz sorrir, me faz dançar desritmado...

Posso até fitar o céu por horas, inexpressivo, acho que é o azul celeste que me faz lembrar você...talvez alguma roupa que usava em nossos tempos de criança era de tal cor...este mesmo azul celeste me diz que vai chover;

"Pois eu vou fazer uma prece, pra Deus, nosso Senhor, pra chuva parar de molhar o meu divino amor...", assim disse o alquimista...

Este chove-não-molha ainda me confunde, me faz chorar, me faz sorrir, me faz dançar desritmado...não virá me ensinar a dançar?


Me leve pra você juntinho de nós dois...
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Obsoleto Coração

Obsoleto Coração, avise a ela que hoje chego mais tarde;
Transitarei ruas do sentimento, o trânsito segue, fico no mesmo lugar;
Me perco nas horas, me encontro em solidão,;
Apenas um rastro anacrônico em meio a multidão...e a multidão sempre aumenta

A munição nos foi dada, porém não sabemos atirar;
A oração nos foi ensinada, porém não sabemos rezar;
A eqüação nos foi passada, mas não sabemos somar...

...no fim das contas, a conta que pagamos é fruto de uma divisão,
divisão esta que nos divide entre certos e errados, aptos ou reprovados...

Meu antiquário é qualquer lugar, asilado pela paixão;
Minha motivação é qualquer sorriso;
Sorrir sem estar feliz pode ser melhor que a felicidade em si...
A tristeza não se mascara, o sorriso não se forja...o sorriso nunca se forja...

...Há obsoletos corações por toda a parte, o meu é mais um destes;
Tentando sobreviver nos dias atuais, dias em que se levantar já é uma vitória;

O obsoleto coração sempre perde, mas sai vencedor...portanto, se nega a seguir as mudanças dos tempos modernos...
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A beleza é não ser belo

De fino trato és a porcelana que guardas,
Nunca tocada, como o céu,
Bem polida, como o lingüajar de um educado trovador...
Será que não vê que és chegada a hora de usá-la?

Eu me abstenho...

De fino trato és a a jóia que ostentas,
Brilhante, como as estrelas,
Radiante, como sorriso de criança
Enche-me de benevolência, me faz sentir nas alturas...

Mesmo assim, me abstenho...

De fino trato és o diário que escondes,
Caprichado, como toalha bordada,
Confidente, como melhor amigo,
Joga-se longe a chave do cadeado, põe-se tudo a se guardar, e ao mesmo tempo a se perder...

Qual a verdadeira beleza em ser belo? Se não tem ninguém pra te olhar...
Sigo me negando, e não nego...sempre serei assim...

Siga comigo por um caminho incerto, sem parar pra perguntar,
Afinal... a beleza é não ser belo... pois o belo já ficou pra trás
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